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Água para o corpo funcionar bem


"Atenção, preparar... água! Essa é a ordem do comandante cérebro depois de soar o alarme da sede. E então você leva um copo ou uma garrafa aos lábios e deixa escoar seu conteúdo. A água inunda a boca e segue goela abaixo. Que alívio! As moléculas de H2O, como uma cascata, descem pelo esôfago e deságuam no estômago. Literalmente. Até aqui poucas delas já se infiltraram no sangue. Só vão ser absorvidas mesmo no próximo estágio dessa jornada, o intestino delgado.

É por meio da mucosa que reveste esse órgão que o líquido penetra para seguir o fluxo da correnteza. A partir daí, as moléculas de H2O pegam carona no sangue que, por sinal, tem 83% do líquido em sua composição e podem chegar a cada célula. A água se difunde pelo corpo e não há fronteiras que barrem esse percurso, conta o nefrologista Paulo Ayroza, do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

"As células vivem num meio composto basicamente por água e sais", acrescenta Gehrard Malnic, professor de fisiologia e biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. Mas dois terços da água do nosso organismo estão dentro delas. Só o restante fica no chamado compartimento extracelular, ou seja, no plasma sangüíneo e no líquido intersticial. "O interstício é o arcabouço de sustentação das células, que é preenchido por uma substância aquosa", define o biólogo Odair Aguiar Júnior, da Universidade Federal de São Paulo, campus Baixada Santista.

Suponhamos que um grupo de moléculas de água navegue rumo às células da pele, que, segundo o dermatologista Paulo Notaroberto, do Rio de Janeiro, "é composta por 70% do líquido". Para chegar lá ele entra nos capilares, vasos extremamente finos que o conduzem até o tal espaço intersticial. Dentro de instantes, graças a um processo químico denominado osmose, cada célula da derme receberá o gole necessário às suas funções. Como isso acontece? É a passagem da água de um meio com menor concentração de sais para outro mais concentrado. Livres, as moléculas transpõem a membrana e entram no citoplasma, uma espécie de recheio celular. "As reações que acontecem nas organelas, estruturas dentro das células, dependem da presença do líquido", afirma Aguiar.

"Nosso corpo não é capaz de armazenar a água", explica o clínico geral Jacob Faintuch, da Universidade de São Paulo. Por isso um número incontável de moléculas de H2O ganha o organismo e depois vai embora. O excedente se une às substâncias produzidas pelo nosso metabolismo que não são aproveitadas, como a uréia e a creatinina, e desemboca novamente na corrente sangüínea. Então uma dupla poderosa entra em ação os rins, que filtram diariamente o equivalente a 180 litros de sangue. Eles capturam o excedente de H2O e também os resíduos resultantes do trabalho das células.

"Esse par de órgãos é responsável ainda pelo equilíbrio de sódio e potássio do nosso corpo", salienta Ayroza. Quase todo esse volume filtrado, é claro, retorna à circulação. O que é retido se transforma em matéria-prima da urina. Quanto às moléculas de água que se dirigiram para a pele, elas não podem ficar lá para sempre. O líquido está sempre sendo absorvido, mas chega uma hora em que precisa dar adeus ao corpo. Isso pode acontecer de três maneiras: pelo suor, pela evaporação ou, retomando a corrente sangüínea, pela urina, como você já viu.

Dos cálices renais a urina segue para o ureter, um tubo de 25 cm que a leva até a bexiga. Lá o líquido é armazenado até receber a mensagem de que precisa ser eliminado. E então é empurrado para a uretra, canal por onde será mandado para fora do corpo. Algum tempo depois, quando a boca secar de novo e o alerta for dado, o comandante não vai hesitar em cobrar outros goles. A água é a molécula mais importante do corpo humano. "Ela regula a temperatura e transporta os nutrientes", afirma a nutricionista Anna Castilho, do Instituto de Metabolismo e Nutrição, em São Paulo.

Os resultados de uma boa hidratação também ficam à flor da pele. E aí podemos dizer que o grupo de moléculas de H2O que acompanhamos cumpriu mais uma missão. "Quando bem suprida de líquido, a pele fica menos propensa a alergias e infecções", ressalta o dermatologista Notaroberto. O recado, portanto, é simples como beber um copo dágua: garanta que muito líquido continue banhando seu organismo por dentro. E muito importante faça o que estiver ao seu alcance para preservar as reservas naturais do planeta.

Fonte: http://saude.abril.com.br

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